A A A

Nova Polônia

Zdzisław Krasnodębski
Gazeta Polska Codziennie
17/10/2011
[Traduzido por – Agnieszka Olczak]

 

Professor (Prof. dr hab.) Zdzisław Krasnodębski – sociólogo e filósofo polonês, que atualmente trabalha na Universidade de Bremen, observa, avalia e comenta os acontecimentos na sociedade polonesa. Ele publica seus artigos nos jornais poloneses e fora da Polônia, onde fala sobre as questões referentes à sua terra natal, expressando-se com firmeza, atenção e, muitas vezes, com preocupação. Este artigo, que parece referir-se ao título do seu último livro “Maior milagre não haverá”, confirma a preocupação do professor Krasnodębski. Foi neste livro que ele chamava os poloneses em 2011, lembrando a missão do Papa João Paulo II “O Espírito fez o que tinha de fazer, agora é a nossa vez”. Apresentamos a opinião do professor após as eleições. [Introdução Portal LELI 17/10/2011]

 

Os poloneses fizeram a escolha para próximos quatro anos e talvez para quarenta, porque estas eleições, é bem provável, mostraram definitivamente, o caminho que a Polônia vai seguir nas próximas décadas. Somente um grande choque ou um grande milagre poderia mudar esta situação. Não foi a mídia, não foi Moscou e tanto mais Berlim, foram os mesmos poloneses que livremente e conscientemente escolheram o governo que gostam. Alguns, escolheram-no pelo ato de não votar, e desta forma confirmaram, que acham este governo pelo menos suportável.

 

Atualmente, não existe consolação e justificativa, como nos tempos do comunismo na Polônia, que a escolha foi imposta, que foi feita sob pressão, que não há outra saída. Nós mesmos fizemos a escolha e nós mesmos vamos sofrer as consequências. Não se pode culpar a falta de informação. Os poloneses conscientemente, mais uma vez, confiaram o poder ao partido que nem pretendia realizar as suas promessas de 2007, ao partido que desde o início da sua cadência proclamava pós-política, isto é, cinismo político pleno. Os poloneses depositaram a sua confiança no partido que encobria seus numerosos casos de corrupção, do escândalo relacionado aos jogos de azar à corrupção na cidade de Wałbrzych. Os poloneses escolheram pessoas sem habilidades necessárias, mas que deixam que todos ganhem dinheiro.

 

Novamente, os poloneses confiaram o poder às pessoas politicamente responsáveis pela morte do presidente Lech Kaczyński e sua esposa, pela morte de ministros e generais. Ecolheram pessoas que não hesitaram de entrar em uma espécie de jogo com um outro país contra seu próprio presidente e – como mostraram os últimos dias da campanha – são capazes de açular a mídia extrangeira contra seus concorrentes políticos. Escolheram pessoas que desde o início enganavam e muitas vezes mentiam sobre a questão da investigação de Smoleńsk. Agora as mentiras públicas serão premiadas com a cadeira de chefe do Parlamento. Os poloneses escolheram pessoas que, nos últimos tempos, demonstravam uma forte tendência de limitar a liberdade de expressão e a liberdade de reunir-se, de eliminar do discurso público os jornalistas considerados não dignos, de assustar e vigiar.

 

Muita reflexão provoca o destino dos novos partidos. Os renegados do “Direito e Justiça” (PiS) – alguns deles consideram-se prejudicados – tiveram uma derrota espetacular que prova que não é suficiente ser percebido como prático, simpático, reconciliatório. A derrota do partido PJN é a derrota do mito do “terceiro caminho”, do mito da direita política prudente, formado na convicção de que as derrotas do PiS são causadas pelo radicalismo ou pelo caráter controverso do seu líder.

 

O sucesso de Palikot, renegado do partido “Plataforma Civil” (PO), mostra que, na Polônia, a briga, atrevimento, lemas primitvos e uma fortuna suspeita, mas de grande tamanho, vendem-se bem na arena política. Na Polônia, ser da “esquerda”, tem esta definição – combinação do permisivismo moral com o permisivismo econômico e com os negócios sem respeito à lei vigente, com o uso livre da genitália. Os lemas sociais servem somente como decoração.

 

Não surpreende que Ryszard Kalisz, indicado atualmente como candidato para um novo chefe do partido SLD (Aliança da Esquerda Democrática), ainda há pouco tempo pensava em entrar no Movimento de Palikot. Palikot é um produto do partido PO, mas também da “Igreja de Łagiewniki” – de padres progressistas que são capazes de até retirar crucifixos pessoalmente para agradar o governo. Também a vitória de Kazimerz Kutz na cidade de Katowice mostra que na Polônia existe uma demanda constante para vulgaridade e pouca demanda para competência. O fato de os cidadãos de Cracóvia escolherem ex-ministro da Defesa, Bogdan Klich, como senador, prova que o eleitor polonês não conhece os limites de vergonha.

 

Sendo realista, temos que admitir que “Direito e Justiça” atingiu um resultado perto do máximo previsto pelas sondagens de opinião pública. As melhores mostravam 31-32%, outras somente 18%. As esperanças de ganhar durante a campanha alguns pontos percentuais a mais eram ilusórias. Analisando os resultados destas eleições parlamentares e também das eleições para presidente, temos que admitir o começo de uma nova época na história da Polônia. Uma data decisiva foi o dia 10 de abirl de 2010. Agora, como muitas vezes acontecia na história, o futuro da Polônia vai depender da coragem e determinação da minoria. O futuro próximo vai mostrar se existe ainda um espaço público oficial onde vai ser possível começar a luta ou se ela vai ter que se deslocar para outras regiões.