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Polônia após as eleições de 2011 – “ser polonês significa não ser normal”

Grażyna Banaszek
WSWO 12/10/2011

[Traduzido por – Agnieszka Olczak]

 

As eleições não mudaram nada na Polônia. O grupo que favorece os vizinhos em vez da sua nação vai continuar no poder por mais quatro anos. Um grupo com o primeiro ministro que abertamente declarava que „ser polonês significa não ser normal”. Venceu o grupo do qual fazem parte as “autoridades polonesas” como Władysław Bartoszewski que comparou a Polônia a uma moça feia que quer casar.

 

Entretanto, surpreende que somente 48% dos poloneses foram votar nas eleições em face da crise econômica que está se aproximando, em face do preocupante crescimento da dívida da Polônia resultado da política deste mesmo governo, que ganhou as eleições pela segunda vez consecutiva.

 

Na arena política polonesa, há muito tempo, somente dois partidos desempenham um papel importante: “Platforma Obywatelska” (Plataforma Civil) e „Prawo i Sprawiedliwość” (Direito e Justiça). Após as últimas eleições surgiram opiniões de que as pessoas que não foram votar fazem parte do eleitorado do “Direito e Justiça”  e neste caso não existe uma justificativa para o contentamento dos atuais triunfadores, porque este eleitorado a qualquer momento pode despertar.

 

Además, a vitória foi alcançada com pouca diferença de votos (39% comparado com 30%), sublinhando que o “Direito e Justiça” tem um eleitorado consciente e firme como uma rocha – apesar de várias opiniões contrárias disseminadas pela mídia favorável ao governo atual. É bem provável a marcha de Budapest a Varsóvia dentro de 3 anos – como constatou Jarosław Kaczyński (presidente do partido “Direito e Justiça”) no dia das eleições, após a apuração dos votos. Os poloneses necessitam de “mais luz” – isto é mais informação, comunicação e consciência em relação ao passado e ao futuro, se não tiverem iniciativa própria.

 

“Plataforma Civil” usa todos os canais da mídia para falar da sua vitória e da suposta derrota dos seus inimigos, para convencer o público de que esta informação é verdadeira.

 

Wojciech Cejrowski, conhecido fora da Polônia, no passado político do movimento de Solidariedade e jornalista, atualmente autor de programas e de livros de turismo, entrevistado pelo Portal Niezależna.pl a respeito da suspeita derrota do partido “Direito e Justiça”, respondeu: “Foi uma vitória radical sobre aqueles que ficaram muito atrás. O resultado seguinte, 10 por cento, faz grande diferença. Se o primeiro partido tem quase 39 por cento, e o segundo mais de 30, esta diferença é pequena. Significa que os dois partidos venceram, os dois são apoiados por uma grande parte da Nação.”

 

Neste contexto Cejrowski acrescenta, que talvez seja bom que “Direito e Justiça” não tenha ganhado as eleições. “Será que a gente queria ganhar estas eleições? Será que queria tomar conta desta m...da, que Tusk e sua equipe fizeram? Será que a gente queria limpar tudo isto? Vamos deixar que eles limpem, que enfrentem os problemas que eles mesmos provocaram. Não seria bom se o ‘Direito e Justiça’ tomasse o poder no momento. O poder deve ser assumido um pouco mais tarde. Primeiro, os que estão no poder precisam afogar nesta fossa. Somente naquele momento a posse do poder seria uma Benção de Deus. Atualmente a vitória de Jarosław Kaczyński seria uma punição terrível para ele” – afirma.

 

Wojciech Cejrowski encherga a situação política da Polônia como alguém que viaja pelo mundo, consegue avaliar a situação precisamente e com calma. Ele tem uma opinião crítica a respeito da atual situação na União Européia: “A economia da União Européia está caindo aos pedaços. Aliás, isto está acontecendo de um modo igual como aconteceu na União Soviética. Está se tornando um gigante com uma administração enorme que não tem liquidez financeira. Temos que aguardar um momento apropriado para entrar nesta brecha com a nossa liberdade e para, mais uma vez, reconstruir a República da Polônia dos escombros.”

 

Estas palavras são fortes, mas será que não são verdadeiras? Mais uma vez quero aqui mencionar o que Donald Tusk falou para a revista "Znak" em 1987 (No 11-12) sobre o tema: “ o que significa para mim ser polonês? Segue a citação:

 

„O que vai sobrar de ser polonês se separarmos todo este teatro patético-sombrio-triste de sonhos não realizados e ilusões sem fundamento? Ser polonês significa não ser normal – esta associação chega a minha cabeça com uma persistência dolorosa, sempre quando toco este tema não desejado. Tudo o que é polonês desperta em mim uma reação de revolta: história, geografia, má sorte ao longo da existência e Deus sabe o que mais. Tudo isto colocou nas minhas costas um peso que não tenho vontade de carregar... Mais bonita que a Polônia é a fuga da Polônia – desta terra concreta, derrotada, suja e pobre. Por esta razão, muitas vezes, ela faz de nós idiotas, cegos e conduz a uma terra dos mitos. Ela mesma é um mito.”

 

Com certeza, se estas palavras fossem lembradas aos poloneses com eficácia antes das eleições, e não somente antes das eleições, a maioria destas pessoas que não vão votar e destas pessoas que a mídia favorável ao governo tenta assustar com Kaczyński, refletiria sobre a escolha, se querem viver na Polônia ou numa província da Europa? Levando em cosideração as convicções de Donald Tusk a respeito do seu país, não surpreende a alegria com o resultado das eleições demonstrada pela mídia alemã e russa. Eles têm motivos para ficarem alegres e às escondidas rir dos “poloneses idiotas”.

 

As palavras citadas do atual primeiro ministro expressam com clareza – não importa a Polônia e a nação. Estas palavras não foram inventadas pelo Kaczyński mas pelo Donald Tusk, e temos que assumir que elas foram ditas com sinceridade no momento quando ainda não sonhava com o cargo do primeiro ministro, entretanto realmente com sinceridade.