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Rússia o principal culpado pela catástrofe – “Livro branco”

Portal na Internet
PRAWO I SPRAWIEDLIWOŚĆ  (DIREITO E JUSTIÇA)
29.06.2011/ 30.06.2011
[Traduzido por – Agnieszka Olczak]

 

A responsabilidade pela catástrofe em Smoleńsk fica sobretudo do lado russo – estas são as conclusões do “livro branco” apresentado pelo PiS (partido político polonês DIREITO E JUSTIÇA). O documento contém conclusões do estudo realizado pelo grupo parlamentar chefiado por Antoni Macierewicz com o objetivo de examinar as causas da catástrofe.

 

A primeira parte do “livro branco” foi apresentada por Macierewicz e presidente do PiS Jarosław Kaczyński no dia 29 de junho de 2011, durante a conferência de imprensa. Macierewicz sublinhou que os documentos em posse do grupo “demonstram que (...) o lado russo é o principal responsável pelo drama”. Ele culpou também a Rússia, entre outras coisas, pela falsificação das cópias de gravações das caixas pretas, e também pela destruição dos destroços do avião.

 

Macierewicz sublinhou também que o primeiro piloto do avião Tu-154M, o capitão Arkadiusz Protasiuk não pousou em Smoleńsk, mas somente “tentou sair de uma armadilha mortal e salvar o presidente e os dirigentes da Polônia”.

 

As acusações contra Moscou, incluídas no livro, referem-se tanto aos preparativos da visita de Lech Kaczyński em Katyń no ano passado, à cooperação da Rússia com a tripulação do avião Tu-154M durante o vôo, à desistência de prestar socorro após a catástrofe, como também à falsificação de provas referentes à catástrofe e aos obstáculos que o lado polonês encontra durante a realização da investigação. Na opinião de Macierewicz, a decisão tomada de não fechar o aeroporto em Smoleńsk e não indicar um aeroporto de emergência para a tripulação da aeronave polonesa decidiu sobre o decurso dos acontecimentos no dia 10 de abril de 2010.

 

Segundo ele, no „livro branco" encontra-se um grande número de fatos desconhecidos pela opinião pública até hoje e também documentos escondidos anteriormente ou falsificados.

 

Segundo o presidente do PiS o „livro branco" fala de “fatos óbvios” e é resultado de pesquisa, que o governo não realizou. Na sua opinião, o relatório da MAK (Comissão Interestatal de Aviação) “não apresenta verdade, calunia os poloneses e a Polônia, engana a opinião pública internacional”, “sendo a obrigação de cada país defender os seus cidadãos, principalmente os cidadãos que morreram de um modo trágico”.

 

Como foi escrito no „livro branco", foi a central em Moscou que mandou receber o avião Tu-154M w Smoleńsk, apesar de mau tempo e contra a vontade dos controladores de vôo. Segundo Macierewicz, a central em Moscou deu à torre de controle uma ordem ilegal “dar instruções para o pouso e sem discussão”.

 

Segundo as investigações do „livro branco", os controladores estavam conscientes de que as informações passadas por eles para a tripulação da aeronave, que se referiam ao precurso do vôo e às condições meteorológicas, eram erradas. Macierewicz falou sobre a “dramaticidade da situação” quando “os controladores de vôo suplicam a sua central para que ela indique um aeroporto de emergência e a central recusa”.

 

Em sua opinião, os russos tinham o dever de fechar o aeroporto em Smoleńsk no dia 10 de abril de 2010. “A pergunta crucial refere-se aos motivos da central para proibir os controladores de fechar o aeroporto, de indicar um aeroporto de emergência, de forçá-los a transmitir informações erradas?” – enumerava Antoni Macierewicz.

 

O político também sublinhou, que os controladores de vôo estavam “chocados e surpresos” de onde surgiu a neblina no aeroporto em Smoleńsk. “Não foi prevista pelas informações meteorológicas anteriores. Quando ela sugiu, tornou-se elemento de um jogo terrível” – ele dizia.

 

Segundo ele, os russos negligenciaram também a preparação do aeroporto, dos funcionários e do local de trabalho dos controladores, concentrando-se somente na visita do primeiro ministro Donald Tusk em Katyń. “A mensagem direta para os diplomatas poloneses foi: Vamos proteger e cuidar somente do primeiro ministro Donald Tusk, a visita do senhor presidente não nos interessa” – sublinhou Macierewicz.

 

Ele disse também que antes de partir para Smoleńsk “houve uma manutenção e reparos técnicos completos sem precedente do avião Tu-154M” na Rússia. Após esta manutenção – foi notado no livro – houve várias falhas no avião. Segundo Macierewicz, estes instrumentos, que tiveram falhas antes de 10 de abril de 2010 se tornaram “provavelmente uma das causas do drama que ocorreu em Smoleńsk”.

 

No „livro branco" aparece também a acusação de que ainda antes de verificar que todas as vítimas estão mortas, a ação de resgate foi de fato cancelada.

 

Na opinião de Macierewicz, os russos, desde o início, queriam responsabilizar a tripulação da aeronave pela catástrofe. Segundo o „livro branco" a Rússia não apresentava informações verdadeiras para a opinião pública internacional e a mídia pública apresentava a catástrofe de um modo falso – culpando os pilotos poloneses, o presidente da República da Polônia e o comandante das forças aéreas pelo ocorrido.

 

Segundo Macierewicz „este elemento, este momento é o mais desonroso nas relaçãoes após o drama”.

 

Acusando os russos de falsificar as cópias de gravações das caixas pretas, ele avaliou que uma grande parte do material das caixas pretas foi preenchida com ruídos que continuam impossibilitando a leitura completa do seu conteúdo. Na sua opinião, o motivo deste ato foi convencer a opinião pública que a tentativa de pouso do avião Tu-154M foi a causa da catástrofe.

 

Na opinião de Macierewicz, a Rússia, sem justificativa, ainda não nos devolveu os destroços do avião Tu-154M, as caixas pretas e os restos dos aparelhos eletrônicos da aeronave, apesar de todas estas provas pertencerem à Polônia. Como ele sublinhava, este comportamento da Rússia impede o trabalho dos promotores de justiça poloneses.

Segunda parte do „livro branco", que trata da responsabilidade do lado polonês

 

„Livro branco" considera como co-responsáveis pela catástrofe em Smoleńsk o primeiro ministro Donald Tusk e os ministros: Ministério das Relações Exteriores - Radosław Sikorski, Ministério dos Assuntos Interiores e Administração – Jerzy Miller, Ministério da Defesa Nacional – Bogdan Klich, Ministério da Saúde – Ewa Kopacz, chefe de Gabinete do Primeiro Ministro – Tomasz Arabski e Unidade de Proteção do Governo – Marian Janicki.

 

Os políticos do PiS apresentaram a segunda parte do „livro branco" sobre as causas da catástrofe em Smoleńsk. O documento conta mais de 160 páginas. No primeiro dia foi apresentada uma parte do documento que fala sobre a responsabilidade do lado russo. A segunda parte do documento trata da responsabilidade do lado polonês.

 

Durante a apresentação, o chefe do grupo parlamentar que preparou o „livro branco", Antoni Macierewicz disse que a catástrofe em Smoleńsk ocorreu não como resultado da queda do avião no solo; a máquina bateu no solo porque a catástrofe ocorreu na altura de 15 m acima do nível da pista. O fato da pane nos instrumentos da aeronave Tu-154 15 metros acima do solo foi apresentado pela primeira vez pela “Gazeta Polska”, que se baseou nos dados incluídos no relatório da MAK e nas informações decifradas do computador da aeronave pelos americanos.

 

Antoni Macierewicz avisou que dentro cerca de um mês e meio vai ser apresentada a causa direta da “imobilização do avião Tu-154M”. “Estamos estudando a causa direta da imobilização do avião Tu-154M na altura de 15 metros. O exame do computador da aeronave mostra que naquele momento a energia foi cortada e todos os mecanismos deste avião pararam de funcionar” – ele disse.

 

Jarosław Kaczyński – o presidente do PiS, ao começar a apresentação da segunda parte do “livro branco” disse, que ela está relacionada à “responsabilidade do governo polonês pela criação de uma situação que poderia levar” à catástrofe em Smoleńsk. Na opinião do chefe do PiS, “a causa direta desta catástrofe é a responsabilidade russa”, mas – como ele salientou – entre as acusações contra o governo polonês e o lado russo “não existe nenhuma contradição”. “A não ser o comportamento dos russos, apesar de todas estas coisas feitas pelos representantes do governo polonês, a catástrofe não teria ocorrido. Entretanto, se o governo polonês se comportasse de outra forma, também ela não teria ocorrido” – disse Jarosław Kaczyński. “Naquele caso, as situações que mostram obviamente a culpa dos russos nunca teriam ocorrido ou não teriam nenhuma importância” – ele acrescentou.

 

A segunda parte do documento inclui acusações, entre outras, contra Ministério dos Assuntos Interiores e Administração, Ministério das Relações Exteriores e Unidade de Proteção do Governo referentes à má preparação da visita do Presidente Lech Kaczyński em Katyń em 10 de abril de 2010. Na opinião dos autores do “livro branco”, a visita de Lech Kaczyński em Katyń não teve proteção devida. Segundo eles, os governos da Polônia e da Rússia, de propósito, abaixaram também o nível desta visita.

 

Antoni Macierewicz demonstrava que durante a organização da visita de Lech Kaczyński em Katyń tiveram lugar negligências puníveis, que nunca aconteceram  antes. As regras de segurança foram desrespeitadas e os responsáveis por esta situação são, entre outros, o ministro Sikorski e os chefes do serviço secreto polonês. Segundo o “livro branco”, a falta de navigador russo na aeronave Tu-154M durante o vôo com presidente Lech Kaczyński é de responsabilidade de Sikorski. Como descreve o “livro branco”, durante os preparativos para a visita do presidente Kaczyński não houve uma análise de ameaças e faltou informação sobre elas, sendo culpados por esta situação os chefes de serviço secreto: Agência de Segurança Nacional, Agência de Serviço Secreto, Serviço de Contraespionagem, Serviço de Espionagem Militar. Além disso, não foram assegurados dois aviões para o presidente.

 

Em “livro branco” afirma-se que não foram também realizadas as visitas preparatórias, nem as visitas da Unidade de Proteção do Governo para verificar as condições no aeroporto em Smoleńsk e foi também negligenciada a informação de 9 de abril de 2010 recebida pelo Serviço Operacional do Exército da República da Polônia sobre o possível sequestro de um dos aviões da União Européia. Segundo o documento, no dia 10 de abril no aeroporto em Smoleńsk não estava presente a equipe de proteção da Unidade de Proteção do Governo e a proteção do presidente foi deixada para o Serviço Federal de Proteção russo.

 

Sikorski e também o primeiro ministro Tusk, foram acusados de entregar a organização da visita de L. Kaczyński em Katyń a “um dos mais perigosos agentes de serviço secreto da Polônia da época comunista”. Trata-se do embaixador titular Tomasz Turowski – agente de espionagem comunista, que trabalhou muitos anos fora da Polônia, espionando, entre outros, a Igreja.

 

Arabski (chefe de Gabinete do Primeiro Ministro), é acusado pelos autores do “livro branco” de não cumprir as obrigações como coordenador de vôos com grau HEAD. Segundo eles, o chefe de Gabinete do Primeiro Ministro, no dia 10 de abril de 2010, escolheu o avião Tu-154M nr 101 com várias falhas.

 

Durante a apresentação do “livro branco” apareceu ainda a afirmação de que o governo de Donald Tusk com o governo de Vladimir Putin realizava um tipo de jogo com o objetivo de eliminar o presidente da República da Polônia da cerimônia em Katyń. Foi feita a declaração de que a equipe de Tusk desistiu das tentativas de considerar a questão de Katyń como o genocídio.

 

Macierewicz disse que o governo polonês pretendia organizar uma visita separada em Katyń com o fim de assinar com a Rússia o acordo referente ao gás, que foi questionado pelo presidente da República da Polônia Lech Kaczyński. “Este ajuste foi fechado em 7 de abril pelo primeiro ministro Donald Tusk com o primeiro ministro Vladimir Putin exatamente em Katyń, durante uma visita separada, uma cerimônia separada” – disse Macierewicz.

 

Segundo os autores do relatório, o ministro Klich é responsável pela desistência de compra de novos aviões para os VIPs. O documeto do PiS relata que o comandante das forças aéreas general Andrzej Błasik onze vezes durante três anos apontava o estado fatal da frota de aeronaves do 36. regimento e exigia do ministro de defesa a compra de novas máquinas. Eles afirmam que o chefe do Ministério da Defesa não comprou novos aviões, apesar de ele próprio constatar em um dos documentos que a frota do 36. regimento não garante a segurança do transporte dos VIPs.

 

Na segunda parte de “livro branco” PiS critica Klich também por causa de ordenar a manutenção e os reparos técnicos do avião Tu-154M no 101 na fábrica “Aviakor” de Oleg Deripaska em Samara.

 

[Quem é Oleg Deripaska -  „ O jornal semanal ‘Gazeta Polska’ publica mais um artigo sobre a investigação, mais precisamente sobre os fundos dela, que outros jornais não descrevem. Oleg Deripaska – proprietário da fábrica em Samara, que efetuou a manutenção e os reparos técnicos das aeronaves polonesas Tu-154 em consequência do concurso público de 2009 – há quatro anos é proibido de entrar nos Estados Unidos. É suspeito, entre outras coisas, de lavagem de dinheiro e de conexões com a máfia – escreve "Gazeta Polska”. Segundo as informações da “Gazeta Polska”, o serviço secreto da Polônia foi avisado de que a atividade empresarial no exterior dos sócios de Deripaska poderia também ser uma cobertura para as operações secretas. – acrescentado pela Redação do Portal com base na fonte: BLOGMEDIA24.PL de 05/10/2010].

Após esta manutenção – argumenta PiS – apareceram vários defeitos técnicos sérios no avião. Macierewicz disse que durante a verificação após a manutenção foi constatado sem dúvidas que não funciona, entre outros, o sistema de comunicação por satélite.

 

Quanto à ministra de saúde, o governo mentia – constatam os autores do “livro branco” – sobre uma suposta verificação detalhada do lugar de catástrofe. “Um mês depois da tragédia, ainda foram encontrados no lugar, não somente os destroços do avião, mas também os restos mortais das vítimas. Informações na imprensa e fotos deste terrível ocorrido apareceram em todos os jornais poloneses. Assim, as declarações da ministra Kopacz perderam totalmente a credibilidade” – avaliou Macierewicz.

 

No documento aparecem também acusações de que a constituição foi violada pelo governo e pelo presidente Bronisław Komorowski. Os políticos do PiS consideram inadmissível, entre outras coisas, o modo como Komorowski, chefe do Parlamento Polonês naquele tempo, assumiu a presidência. Segundo eles, no dia 10 de abril de 2010, Komorowski tomou posse como presidente sem esperar a confirmação da morte do presidente Lech Kaczyński, uma violação da constituição da República da Polônia.

 

Apesar destas acusações – declarou o presidente do PiS – não haverá pedido de votação para que as pessoas responsáveis, na sua opinião, pela catástrofe em Smolensk, sejam julgadas pelo Tribunal Constitucional. É totalmente impossível obter a maioria no parlamento para esta iniciativa – explicou.

 

O chefe do clube parlamentar agradeceu, entre outros, aos periódicos “Gazeta Polska”, “Nasz Dziennik” e aos jornalistas que ajudaram na investigação das causas da catástrofe em Smoleńsk.

 

As famílias das vítimas da catástrofe em Smoleńsk receberam um exemplar simbólico do “Livro Branco”.

 

(…) A. Macierewicz disse que o „livro branco” não é ainda um documento final preparado pelo grupo parlamentar, o relatório final deve ficar pronto nos próximos meses.